sexta-feira, 17 de junho de 2011

Tributo logístico pode barrar economia



ESCRITO POR REDAÇÃO WEBTRANSPO

A alta carga de impostos nos transportes tem gerado muita polêmica. De um lado, entidades e empresas do setor lutam para baixar o volume com a afirmação de que a massiva cobrança cria barreiras para o desenvolvimento da economia, por outro, o governo salienta a sua importância para gerar receita para servir a sociedade.

Diante desse impasse, especialistas declaram que apesar da perspectiva de crescimento econômico para a próxima década, o País deverá enfrentar várias barreiras para garantir os resultados no ritmo necessário justamente em razão da carga tributária, que torna os produtos e serviços brasileiros mais caros, desestimulam investimentos e freiam o crescimento interno.

Com dimensões continentais e um agronegócio que cresce a cada dia, o País ainda registra grande disparidade entre as modalidades de transporte em suas regiões e perde por não possuir integração logística entre os estados. De acordo com estudo do ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain), o total de custos logísticos no Brasil, em 2008, chegou a R$ 334,07 bilhões (11,6% do PIB).

Eles afirmam que para ajudar a resolver a questão seria necessário reajustar as leis que regem sobre os tributos. "Falta legislação específica e regulação. No âmbito estadual, eu vejo muitos problemas que envolvem a substituição tributária, as diferenças tributárias entre os Estados, os créditos acumulados", declarou Helcio Honda, diretor do Dejur (Departamento Jurídico).

Integrar modais

Além da simplificação dos processos e tributos, a utilização integrada dos modais pode diminuir os custos para as empresas e para o País. Mas, para que isso se torne realidade, é necessário um planejamento e melhorias da infraestrutura de transportes, atualmente intensificada em rodovias.

De acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o trajeto de uma mercadoria de Camaçari (BA) para São José dos Campos (SP), por exemplo, resulta, atualmente, no recolhimento do ICMS por três vezes. Com a instituição do “Transporte Multimodal de Cargas”, o imposto poderia ser recolhido apenas uma vez e na origem. Essa simplificação só poderá ser viabilizada com uma revisão tributária.

Peso avulso

Adauto Bentivegna Filho, assessor da Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo) criticou as barreiras e a lista de impostos. Para ele, as taxas devidas ao Ibama (quando a carga impacta o meio ambiente), à Polícia Federal e de inspeção, além de PIS/Pasep, Cofins e outros similares, se transformam em pesos “avulsos” que, somados aos pedágios, elevam os custos das empresas.

Citou os pesos "avulsos" que trafegam junto com os produtos, do pedágio aos impostos em cascata, como as taxas devidas ao Ibama (quando a carga impacta o meio ambiente), à Polícia Federal e de inspeção, além de PIS/Pasep, Cofins e outros similares. "É preciso simplificar essa contabilidade", solicitou.

Logistics Tax can stop the economy

Mão de obra, o problema logístico


ESCRITO POR REDAÇÃO WEBTRANSPO

Importantes segmentos para impulsionar a economia brasileira, o transporte e a logística têm sofrido para encontrar profissionais qualificados. A cada dia, crescem as notícias de carência de mão de obra especializada. Essa realidade é ainda mais perceptível pelo fato de que o Brasil é o terceiro País com a maior dificuldade nessa procura.

Um levantamento realizado pela Manpower, empresa que atua na área de recursos humanos, apontou que 57% dos empresários não conseguem preencher vagas de trabalho pela ausência de pessoas com um nível de qualificação razoável.

Uma outra pesquisa feita pela NTC&Logística com 400 empresas do setor revelou que para 42,7% dos entrevistados a falta de mão de obra qualificada é o maior limitador para a expansão dos negócios.

No segmento de ferrovias, a parte mais carente é a de engenheiros ferroviários. De modo geral, para a ANTF (Agência Nacional de Transportadores Ferroviários), toda a movimentação do setor deverá elevar a oferta de empregos diretos e indiretos. A associação trabalha com a expectativa de elevar o total de 36.567 empregos em 2009 para mais de 44 mil neste ano.

Entretanto, o principal problema da logística atualmente com relação à falta de mão de obra está ligado aos motoristas. De acordo com a Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros do Brasil), a defasagem de motoristas atinge mais de 120 mil em todo o Brasil. Atualmente, 58% do transporte de mercadorias utilizam as rodovias e são feitos por caminhão.

Projetos de qualificação

De acordo com a NTC, sem mão de obra e pessoas experientes para desempenhar as funções de motorista as empresas não conseguem atender a demanda do mercado. Frente essa dificuldade e para evitar o colapso, algumas empresas estão criando projetos de qualificação.

A Brasilmaxi anuncia que a cada três meses os 112 motoristas que integram seu quadro de funcionários passam por avaliações de desempenho e participam de cursos de reciclagem, direção econômica, direção defensiva, monitoramento, qualidade, sistema integrado de gestão e segurança nas estradas, além de avaliações médicas regulares.

Em outra frente, a Vale é uma das companhias que apostam na formação de profissionais para atuarem no segmento de transporte e logística. A empresa possui, entre outras iniciativas, um “Programa de Formação Profissional” para contratar profissionais para atuar nas áreas de ferrovia e porto.

Manpower: the logistical problem

segunda-feira, 13 de junho de 2011

As deficiências da Logística de Medicamentos no Brasil



Luiz Fernando Buainain - Presidente da Abafarma - Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico

Transportar e distribuir medicamentos exige cuidados extremos para que, ao chegar às mãos do consumidor, o produto esteja com a qualidade inalterada. Controlar a temperatura, umidade e assegurar a integridade das embalagens pode não ser tão complicado em um caminhão, mas há milhares deles nas estradas, o que dificulta o controle e a fiscalização. Os gargalos que as distribuidoras enfrentam, como o alto preço do frete e dos pedágios, risco de roubos de cargas e malha viária mal conservada e insegura, tornam o transporte pelo modal rodoviário ainda mais caro. E todos pagamos o preço.

Partindo desta linha de raciocínio, por que não utilizar outro tipo de transporte para evitar estes problemas? A resposta não é tão simples. Para o transporte de grandes volumes e carga com produtos sensíveis de alto valor agregado, como é o caso dos medicamentos, a logística rodoviária ainda representa o melhor caminho. Os Estados Unidos, um país de grandes dimensões como o Brasil, também utilizam esse tipo de transporte majoritariamente, já que a flexibilidade e o fácil acesso dos caminhões a diversos tipos de lugares também são pontos que favorecem na hora da distribuição.

O Departamento de Transporte dos Estados Unidos avalia a eficiência desse modal por parâmetros como segurança, energia, oferta de transporte e meio ambiente. No Brasil, a questão da segurança é um capítulo à parte, já que os medicamentos estão entre as cargas mais visadas por quadrilhas altamente especializadas. Os preços elevados dos combustíveis, a alta média de idade da frota, muitos gastos com manutenção e o pequeno número de empresas que utilizam ferramentas de tecnologia da informação para ganhar em produtividade são outros fatores que contribuem para aumentar os custos, refletindo na perda de competitividade.

As alternativas ao transporte rodoviário não se apresentam como boas opções. Nosso país sempre foi carente de transporte ferroviário, com ferrovias mal distribuídas, sucateadas e concentradas na região Sudeste. Nas aeronaves, as despesas com combustíveis e manutenção são altas e não há possibilidade de transportar grandes volumes. Mais baratos que rodovias e ferrovias, as hidrovias e o transporte de cabotagem não chegam aos lugares mais distantes e de difícil acesso.

Com uma das maiores malhas viárias do planeta, o modal rodoviário também é o mais utilizado no Brasil para transporte de mercadorias entre os países do Mercosul. Diversos acordos buscaram maior facilidade, com trâmites fronteiriços simplificados e ampliação da segurança para a circulação de veículos e condutores. E mesmo com toda essa importância estratégica, a maioria das estradas brasileiras não oferece boas condições de trafegabilidade. Muitas não são nem asfaltadas.

Enquanto o transporte rodoviário de medicamentos for a melhor forma de abastecer cada cidade nos mais de 8,5 milhões de km² de extensão do território nacional, é preciso desenvolver melhorias contínuas na regulamentação do modal e nas estradas do País. O investimento no setor de transporte, como acontece lá fora, reflete no aumento da eficiência econômica de qualquer país. Assim, o medicamento pode ter um preço mais competitivo e, consequentemente, mais justo para o consumidor.

The deficiencies of Logistics Medicines in Brazil